sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Responsabilidade e Maturidade

Hoje finalmente estou convencido que sou uma pessoa positivamente (acima de 50%) madura. Maturidade, na minha opinião, é ser capaz de assumir as responsabilidades e assumir um comportamento capaz de enfrentar os vários compromissos com que nos comprometemos, independentemente de esses compromissos serem a compra de uma casa, de um carro, acabar um trabalho ou tomarmos conta de uma pessoa.

As responsabilidades, na minha opinião, e sem nenhuma fundamentação cientifica (não me dei ao trabalho de procurar), podem ser distribuídas por três grandes grupos: financeiras, profissionais e pessoais.

Quanto às financeiras, dependem obviamente (e infelizmente :) ) dos rendimentos auferidos por cada um de nós. Quanto maior o rendimento, maior a capacidade de responsabilização que temos perante (normalmente) uma instituição de crédito. A partir daí é uma questão de assumir os riscos e alguns compromissos nas nossas escolhas do dia a dia por forma a garantir o cumprimento desses mesmos compromissos (normalmente prestações mensais com enorme relevância no orçamento individual).

As profissionais têm a ver com o compromisso perante a nossa entidade empregadora (para quem trabalha por conta de outrem, obviamente. Quem trabalha por conta própria tem um outro conjunto de responsabilidades muito mais vasto) que faremos o nosso trabalho de uma forma profissional, que garanta o nosso rendimento (salário) acrescido da margem sem a qual a entidade empregadora não se daria ao trabalho de nos proporcionar um emprego.

Quanto às pessoais… bom, nestas a subjectividade prevalece. Responsabilidades pessoais (nesta minha divisão) têm a ver com a capacidade de cada um de nós assumir responsabilidades perante o “próximo”, ou seja, os outros, as outras pessoas (e aqui a palavra chave é PESSOAS). Isto acontece quando assumimos compromissos perante uma pessoa acamada, uma criança, no caso de quem trabalha por conta própria (ou tem funções de gestão) pelos seus colaboradores, pelos nossos amigos, pelos nossos amados (e amantes!!!)… assumimos responsabilidades perante outras pessoas em que temos (deveríamos ter :- ) interesse em proporcionar-lhes bem-estar e segurança.

No meu caso, destes três “vectores”, considero-me “à altura” de dois deles: profissional e pessoal. No caso do financeiro ainda não tive a oportunidade de assumir esse compromisso devido à inconstância e imprevisibilidade da minha vida actual.
Na sociedade actual, a financeira e a profissional estão assumidas como comportamentos padrão, que toda a gente assume como valores (fundamentais) da sociedade. Quanto às pessoais… +/-!... Vê-se cada vez mais os estados negligenciam mais as suas responsabilidades sociais perante os seus cidadãos.

As empresas, embora se esforcem por transmitir uma imagem de responsabilidade social imaculada, estão cada vez mais vulneráveis às necessidades de apresentação de evolução constante de resultados, ano após ano (trimestre após trimestre!!!), subtraindo cada vez mais “regalias” aos seus colaboradores. E as PESSOAS com quem nos relacionamos? Essas que se fodam… cada vez mais é essa a tendência. Aí os valores da sociedade são cada vez mais rasos. É cada vez mais vulgar desiludirmo-nos com as pessoas que assumimos como modelos para nossa vida. Cada vez mais a imagem que as pessoas transmitem não é a do seu verdadeiro EU (self). Falsificam a sua “identidade” por forma a encaixá-la nos “pseudo-valores” visíveis da sociedade e escondem o seu verdadeiro EU, as suas depravações e anseios, lá no “cantinho inferior direito do coração” (como diz uma pessoa com quem me identifico (e que AINDA não me desiludiu) diz) guardado.

Por vezes atribuo a minha aparente “insegurança” (relativamente a outras pessoas) a uma falta de “vivência de situações”, nomeadamente as inerentes às responsabilidades financeiras (das quais acuso algum deficit). No entanto quanto mais (e melhor) conheço as pessoas (… mais gosto dos animais :) ) mais fico consciente das suas limitações na abordagem às responsabilidades (principalmente pessoais, mas também nas outras) e na sua dúvida quanto às convicções previamente confirmadas quando confrontadas com novas situações na sua vida.

Em jeito de brincadeira, chego à conclusão que o nível de maturidade é inversamente proporcional ao delta de pulsações por minuto no nosso organismo ao enfrentamos uma situação e a interpretamos sem esquecer os nossos valores previamente assumidos.

"Ética é estar à altura do que nos acontece" – Deleuze

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