… mas já não saboreamos a cereja.
(Jorge Palma)
Nota-se cada vez mais uma tendência para aproveitar o “conhecimento passado” na abordagem à vida e assumir as incutidas “melhores práticas” como verdades absolutas e contra as quais ninguém se insurge.
Desta forma as pessoas evitam de pensar o porquê das coisas serem feitas como são, assumindo logo à partida que a forma correcta é aquela que o “senso comum” dita.
Surgem então os “padrões de comportamento” mais fáceis de prever e segmentar, facilitando a exploração das nossas emoções, convencendo-nos a despender os nossos recursos em produtos e serviços disponibilizados pelo “mercado global”.
É criado o “processo” para automatizar e definir a forma de fazer as coisas. Normalmente, mais uma vez, são baseados nas “melhores práticas”, generalizam-se e existe uma tendência para aproximar as organizações na forma de fazer as coisas, de funcionar, sem muitas vezes de ter em conta particularidades regionais.
Perde-se a identidade. A capacidade crítica, de intervenção. Perde-se a vontade (e capacidade??) de fazer mudar as coisas. O “caminho” está definido à partida. Não somos donos do destino.
Palavra-chave (no meio de tantos “chavões”): Globalização.
Desde há dois séculos e meio o mundo evoluiu mais que até então, quando de começou a “aplicar os conhecimentos científicos à produção de bens”. O nível de vida das pessoas melhorou consideravelmente. Tem-se acesso a melhores cuidados de saúde, a melhores meios de mobilidade, a melhores meios de comunicação, a mais conforto, a maior capacidade de desperdício de recursos… a melhores condições de vida.
Estamos todos mais felizes, então?… não. O nível de felicidade da população em geral continua igual. Não evoluiu “apesar da fartura”. Partindo do princípio (bastante razoável) que o objectivo individual primeiro na vida de cada um de nós é a felicidade, acabamos por não ser quem mais beneficia da “evolução”, do “desenvolvimento”. Se estendermos esses objectivos para além de nós, ao colectivo, estes não são também atingidos pois a maioria da população mundial vive na pobreza.
Agora devia escrever uma conclusão… mas ainda não tenho opinião formada. Escrevo apenas para abranger um conjunto de factos que tenho observado no dia a dia e que, apesar de todas as vantagens da evolução que o mundo tem sofrido, acabam por revelar alguns aspectos negativos por esta proporcionados.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
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